
Antes de conhecermos a história e a relação entre a Pandorga Formação em Autismo e a Associação Mantenedora Pandorga (também conhecida como “Associação Pandorga” ou simplesmente “Pandorga”), gostaríamos de compartilhar a história por trás do termo “pandorga”.
O que “pandorga” tem a ver com “autismo”? Por que o nome Pandorga?
Esse nome foi escolhido por Heide Kirst, fundadora e coordenadora da Associação Mantenedora Pandorga – associação que se ocupa do atendimento a pessoas autistas –, inicialmente chamada de Escola da Pandorga (1995).
Segundo Heide, a pandorga é uma boa metáfora para o autismo porque ela alça voo e pode ir muito longe no céu, mas sempre precisa de um fio, discreto, que ajude a conduzi-la sem cercear seu movimento, para que ela não se perca completamente em seus voos.
O que é a Associação Mantenedora Pandorga?
Foto 1: Casa Pandorga; Foto 2: Casa Pandorga criança e sede da Pandorga Formação em Autismo.
A Associação Mantenedora Pandorga é uma ONG (organização não governamental), localizada em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, que atua há mais de 28 anos no atendimento a pessoas autistas. Atualmente, possui dois centros de convivência para crianças e jovens com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA): a Casa da Pandorga e a Casa Pandorga Criança.
Hoje a Associação atende 40 pessoas, de 3 até 45 anos, em sua grande maioria autistas nível 3 de suporte, antes chamados de autistas severos. Além disso, a Associação presta consultoria para famílias atípicas com familiares autistas de todos os níveis de suporte (ou níveis de gravidade) e para prefeituras, escolas, associações, empresas e outras instituições.
Como surgiu a Associação Mantenedora Pandorga?
A história da Pandorga é bem mais longa que seus 28 anos de existência. Os primórdios da Pandorga vêm de um tempo em que nem mesmo os médicos sabiam o que era autismo. Naquela época era comum as pessoas dizerem “altismo” em vez de “autismo”!
Antes de mais nada, é preciso voltar para o ano de 1986, quando Heide Kirst iniciou seus estudos de educação especial na Suíça.

Heide Kirst (em primeiro plano) e Nelson Kirst (em segundo plano)
Ao procurar seu primeiro estágio, foi informada de que havia apenas um local disponível – era uma instituição onde ninguém queria trabalhar. Essa instituição se ocupava de crianças autistas. Naquela época, ninguém entendia essas crianças; o autismo era quase que totalmente desconhecido. Heide quis saber quem eram aquelas crianças e o que elas tinham de tão diferente. Assim começou a história da Pandorga. Na sequência do curso, Heide fez dois outros estágios práticos, também em instituições que atendiam crianças autistas.
Quando retornou ao Brasil, ela começou a ver as crianças com comportamentos autísticos que ela tinha aprendido a reconhecer, mas que não eram ainda reconhecidas e diagnosticadas pelos médicos. Pediatras, psiquiatras, neurologistas diziam que não havia crianças autistas na nossa região.
Nos primeiros anos, Heide trabalhou em várias instituições de diferentes cidades do Vale dos Sinos. Lá ela via as crianças autistas. Porém, essas crianças não estavam sendo reconhecidas e muito menos diagnosticadas, e Heide não conseguia se conformar que elas não recebessem o atendimento adequado, uma vez que eram tratadas como crianças com deficiência intelectual.
Então, depois de alguns anos de experiências frustrantes, ela decidiu começar um trabalho próprio. E foi assim que, na sua própria casa, Heide criou a “Escola da Pandorga”, no ano de 1995, atendendo dois alunos. À medida que a iniciativa se tornava mais conhecida, mais solicitações de vaga surgiam e, com a ampliação de suas atividades, fez-se necessária a criação de uma Associação. Em 1999, a Escola da Pandorga tornou-se a Associação Mantenedora Pandorga.
Como resultado da busca de familiares por um lugar onde seus filhos autistas pudessem receber um tratamento humano e empático, as dependências da residência de Heide passaram a não ser mais suficientes para atender as crianças de forma adequada.
Assim, em 2003, com o auxílio de diversas entidades e parcerias, iniciou-se o plano de construção da Casa da Pandorga. Com um projeto arquitetônico pensado para atender as necessidades das pessoas autistas, o centro de convivência foi inaugurado em abril de 2005.
A necessidade de criar um segundo centro de convivência se deu em razão da grande diferença de idade dos atendidos, visto que as demandas das crianças autistas são muito diferentes das demandas de adolescentes e adultos autistas.
Dessa maneira, no ano de 2014, começou a construção do prédio que logo abrigaria a Casa Pandorga Criança, inaugurada em 2015. O local conta com salas para atividades, salas sensoriais, espaços de autorregulação, refeitório e banheiros adaptados, além do espaço externo, onde as crianças autistas podem brincar livremente. É nas dependências da Casa Pandorga Criança que está localizado o escritório da Pandorga Formação em Autismo.
O que é a Pandorga Formação em Autismo?

Nelson Kirst.
Fundada em 2008 e coordenada por Nelson Kirst, a Pandorga Formação em Autismo é o setor educacional da Associação Mantenedora Pandorga, voltado à capacitação de pais/familiares atípicos, educadores e demais profissionais que trabalham com o público autista.
Sempre buscando professores capacitados em âmbito nacional e internacional, a Pandorga Formação em Autismo está totalmente comprometida em oferecer conteúdos de qualidade nos seus cursos e demais publicações. Atualmente, são 19 cursos disponíveis, sendo que 9 deles são ministrados por professoras com ampla experiência na área e renome no cenário internacional do autismo (Reino Unido e Bélgica).
Visando oferecer o melhor conteúdo sobre autismo para quem mais precisa dele, a Pandorga Formação lançou, em 2020, o Pró-Famílias, um programa que oferece Bolsas Gratuidade de 100% para pessoas autistas e familiares em 1º e 2º graus. Saiba mais sobre a Pandorga Formação em Autismo e o Programa Pró-Famílias clicando aqui.
Agora que você já sabe um pouco mais sobre a história e a relação entre a Pandorga Formação em Autismo e a Associação Mantenedora Pandorga, continue acompanhando o nosso blog para ler os próximos artigos sobre temas relativos ao autismo.
Até breve!